4 pilares para a transformação digital
- Aline Pitondo Monteiro
- 5 de jan. de 2025
- 4 min de leitura
A transformação digital não é um assunto novo, no entanto o termo nem sempre é definido ou compreendido da mesma forma por todos.
Um negócio que preza pela sua permanência no mercado estÔ sempre se modificando e se modernizando, por bem ou por mal, em maior ou menor grau. Logo, é importante ter um entendimento claro de que se adaptar a novas ferramentas e a novas tecnologias é bem diferente do se adaptar ao mundo digital como um todo.
A adequação ao mundo digital Ć© uma mudanƧa que exige uma atenção e que transborda a tecnologia. Ela deve ser āleveā, eficiente, alinhada ao relacionamento desejado entre a marca e o consumidor e altamente adaptĆ”vel a mudanƧas de cenĆ”rios e contextos.
Ć claro que, como toda mudanƧa, a transformação digital traz muitas incertezas. E essas incertezas, em grandes ou pequenas organizaƧƵes, podem ser paralisantes. Redefinir modelos de negócio em um mundo em constante mudanƧas (olha 2020 ai!), tem um custo operacional e financeiro alto, alĆ©m de demandar tempo e esforƧos significativos. Contudo, Ć© sempre importante lembrar do custo ainda maior em ānĆ£o se transformarā. As liƧƵes que a Blockbuster e a Kodak deixaram sĆ£o clĆ”ssicas e ótimos exemplos para empresas que acreditam que seus modelos de negócios e sua base de clientes vĆ£o mantĆŖ-los sempre a salvo.
Os quatro pilares
Quando buscamos āTransformação Digitalā no Google, a primeira definição que aparece (WikipĆ©dia) Ć©: āTransformação digital pode ser definida como um fenĆ“meno que incorpora o uso da tecnologia digital Ć s soluƧƵes de problemas tradicionaisā.
Mas, quais são esses problemas tradicionais em um mundo em constante mudança? Como incorporamos tecnologias novas e de sistemas legados nisso tudo? Em um universo de receitas e conceitos, é fÔcil se perder. Pensando nisso, abaixo pincelo rapidamente o que acredito serem os quatro pilares necessÔrios para começar a entregar uma transformação digital alinhada aos desejos atuais do mercado.
1.Digitalização de ofertas
Utilizando a tecnologia para criar e melhorar produtos e serviços, por eles mesmos ou por uma experiência integral que eles podem proporcionar.
Um exemplo desse pilar sĆ£o os tĆŖnis conectados. Esses tĆŖnis permitem que esportistas meƧam seu desempenho em tempo real (porĀ smartphoneĀ ouĀ smartwatch), compartilhem com seus amigos (por aplicativos de bate-papo e mĆdias sociais) e tenham relatórios completos sobre sua evolução (em uma plataforma de nuvem). Note que nĆ£o se trata de somente um tĆŖnis conectado, Ć© uma experiĆŖncia esportiva completa que considera produto, serviƧos e comportamento social.
2.ExperiĆŖncia do cliente
Trabalhando por meio de canais digitais entregas de momentos e de interações que estejam alinhados (ou, de preferência, superiores) as expectativas dos clientes e que sejam capazes de criar lembranças que fidelizem os consumidores.
Um meio de fazer isso, por exemplo, é colocar o NPS, o FCR, o CES e o CSAT e alguns indicadores transacionais como indicadores chaves, não só da Ôrea de experiência do cliente, mas também da Ôrea de sucesso do cliente e de toda a organização. Agindo dessa forma, a empresa lembra aos seus funcionÔrios, de forma constante que o cliente estÔ no centro do seu negócio e que sua experiência, digital ou não, é sempre primordial.
3.Engajamento de funcionƔrios
Os pilares 1 e 2 só funcionam corretamente a partir de funcionÔrios que acreditam na marca e no propósito da empresa.
FuncionÔrios que pensam dessa maneira entendem que prestar o melhor atendimento ao cliente é a única alterativa a ser seguida e trabalham para que a empresa seja um objeto único, impedindo que haja o fortalecimento de silos corporativos e mantendo, quase que naturalmente, as relações humanas durante todas as jornadas como diferencial para a organização.
4.Otimização de processos
Toda e qualquer mudança estrutural (sistêmica, humana ou qualquer outra) não funciona se processos não forem considerados.
Ć importante que problemas que surgem e sĆ£o resolvidos ācom jeitinhoā precisam ser regularizados, melhorados e terem suas causas-raiz encontradas e solucionadas para que nĆ£o se repitam. Ć prioritĆ”rio nesses casos que processos que impactam diretamente o cliente sejam olhados com ainda mais cuidado de forma constante e rĆ”pida.
Aqui cabe a minha frase preferida (e que repito até que exageradamente): Se o bÔsico não é entregue, não hÔ estratégia ou ação de transformação empresarial que resista a crueldade de um mercado cada vez menos tolerante a erros.
Claro que, apesar de não estar como um pilar, é importante ressaltar que a base para que tudo isso saia do papel e funcione é tecnologia da informação (TI). Nesse sentido, é mandatório que a Ôrea de TI compreenda que seu papel é de parceira do negócio, por meio de viabilização de estratégias, de facilitação de mudanças, de resolução de problemas, de fornecimento de dados e de consultoria para as unidades de negócios para que estas sejam mais eficientes.
Em resumo: a transformação digital Ć© um jeito āmais atualā de falar sobre modernização de modelos de negócios. Mas sobretudo, Ć© um programa interminĆ”vel de melhorias e evoluƧƵes, que, com o apoio de uma boa governanƧa de projetos e de uma ótima visualização de dados, traz a possibilidade de uma empresa se diferenciar no mercado. Para muitas empresas e gestores, os primeiros passos desse processo sĆ£o os mais difĆceis, como para um bebĆŖ que estĆ” aprendendo a andar, mas uma vez que se imputa na organização uma mentalidade que transformação digital Ć© um programa de projetos de melhorias contĆnuas, a tendĆŖncia Ć© que as evoluƧƵes aconteƧam de forma menos dolorosa e fazendo mais sentido.
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*Escrito em 2020, antes da consideração de Inteligência Artificial